Tatame entrevista o Pretorian Fighter Fabio Maldonado

Foto: Tatame

Especialista e invicto nos ringues de Boxe, Fábio Maldonado hoje se dedica integralmente ao MMA para lutar no UFC, mas sua base acaba dando brechas para os adversários. Em sua última luta, o brasileiro dominou a trocação contra Kyle Kingsbury, mas as quedas contaram bastante na hora da decisão dos jurados.

“Acho que perdi no sistema, mas na hora eu achei que se dessem empate estava bom porque estava difícil. Eu deixei a desejar… O cara não era um Rashad Evans, um Phil Davis… Mas ele é um bom wrestler”, disse Maldonado, em entrevista à Tatame, revelando que pretende ir treinar Wrestling nos EUA. “Acho que não precisa de um extraordinário lutador de Wrestling para me treinar. Se eu treinar com uma equipe Junior nos Estados Unidos, vou ser jogado para caramba no chão e vou treinar bem”.

Confira abaixo o bate-papo com Maldonado, que falou ainda sobre o período em que ficou doente na semana da luta com Kingsbury, chegando a ficar internado, e porque não desistiu da luta.
Você acabou lutar no UFC, e o combate foi eleito um das melhores do ano. Como vê isso?

Fui feliz para caramba. Quer dizer que eu e meu adversário tivemos esse mérito. Graças a Deus, o meu estilo é o que o povo quer ver, não é de amarrar, igual ao St. Pierre.

O seu adversário te elogiou muito, falando que ele nunca tomou socos tão duros. Quando a luta acabou, você imaginou que iria vencer por pontos?

Eu achei que não, porque lá é complicado esse negócio de quedas. O MMA é um esporte que está sendo descoberto. Daqui a pouco vão achar que vão ter que mudar. 10-9 é o sistema do Boxe, que tem 12 rounds. Vai ter que ter um meio ponto aí, sabe… Sei lá, acho que perdi no sistema, mas na hora eu achei que se dessem empate estava bom porque estava difícil. Eu deixei a desejar. Eu sei que, com o que eu mostrei naquele dia, eu só sou mais um. E eu não quero só ser mais um, eu quero enfiar a mão no campeão.

O que você acha que precisa mudar para render mais nas lutas?

Bom, eu comecei a trabalhar o Wrestling. É claro que eu tomei quatro quedas, tive um Wrestling nota 7. O cara não era um Rashad Evans, um Phil Davis… Mas ele é um bom wrestler. Eu vi que se eu tivesse pegado um wrestler melhor ainda o cara teria me jogado muito mais vezes. Mas eu vi também qualidade nas minhas defesas de queda. Eu acho que o principal foi ter passado do ponto. Eu treinei tanto, que eu estava em decadência. Eu acho que eu dei uma decaída, e eu fiquei internado dez dias antes. Eu não preciso mentir. Eu estava mal, o Minotauro me internou… Teve lutas na minha vida, como a que eu perdi para o Cacareco, que era a luta que eu estava mais treinado. E eu perdi em 30 segundos. Mas nessa, realmente eu não estava bem.
Você chegou a pensar em desistir da luta?

Não. Eu não posso desistir. É um desrespeito com o UFC, com o cara e com os meus fãs. Eu não estava com lesão séria, como pé quebrado, ombro deslocado ou alguma coisa assim. E também não estava com uma dengue, uma coisa séria. Eu achei que nove por cinco de pressão e quarenta graus de febre eu poderia suportar. Eu suportei, mas não fiquei no ponto.
Sobre a parte de quedas, como está o seu treino nessa parte? Você pensa em fazer um camp nos Estados Unidos para evoluir?

Eu penso. O Brasil tem alguns treinadores bons, mas assim como eles têm várias habilidades, eu tenho várias também. Mas o Wrestling mais ainda. Eu acho que não precisa de um extraordinário lutador de Wrestling para me treinar. Se eu treinar com uma equipe Junior nos Estados Unidos, vou ser jogado para caramba no chão e vou treinar bem. Eu preciso saber pegar um treino bom. Eu estou a fim de pegar um gringo no Wrestling. No Brasil eu sei que tem alguns bons treinadores também.


O que você espera para esse final do ano no UFC?

Eu recebi uma proposta hoje (sábado). O meu empresário, o Alex Davis, perguntou se eu quero lutar com o Rich Franklin, porque o Minotouro se machucou e eu poderia pegar a luta hoje, 14 dias antes da luta. Eu estou pesadão, estou com 106,5kg, estou malhando pesado, fazendo um trabalho de base. Eu achei muita loucura 14kg em 14 dias. Eu achei muito ruim. De repente, se tivesse um mês eu pegaria. Eu não preciso de três meses para uma luta, mas um mês é bom. Duas semanas é muito pouco.
***

NOTA DA REDAÇÃO DA TATAME: Alex Davis entrou em contato com a Tatame para esclarecer que o UFC não ofereceu a vaga de Minotouro a Fábio Maldonado. Ao saber que Rogério estava lesionado, Alex ligou para Maldonado e perguntou se ele estaria disposto a pegar a luta e, caso a resposta fosse positiva, o empresário ligaria para o UFC para oferecer seu atleta.

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