
As manobras para redução ou aumento de peso no período competitivo afetam o rendimento dos lutadores. A nutrição adequada proporciona não só a manutenção do peso ideal para cada categoria, mas auxilia na redução de gordura corporal possibilitando maior velocidade nos golpes. De acordo com suas composições corporais e características técnicas e táticas de luta, os atletas decidem, muitas vezes por si próprios, quais seriam as melhores alternativas para aumentarem suas chances de obterem melhores resultados em determinadas condições competitivas. As manobras consideradas de risco são:
Manobra para ganho de peso
O método geralmente adotado pelos atletas é o da hiperalimentação, sem se importar com a qualidade dos alimentos ingeridos, resultando em um aumento de peso e de gordura corporal, levando a perda de estabilidade contra os golpes. Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva, a recomendação nessa situação seria o aumento gradativo de calorias com uma dieta que permitisse o incremento de massa muscular e a manutenção da gordura corporal.
Manobras para reduzir peso
As condutas mais utilizadas são: restrição drástica de calorias, semi-jejum, uso de diuréticos e laxantes e treinamento em ambientes quentes com roupas e acessórios de borrachas/ plásticos. Essas condutas muitas vezes levam o atleta à desidratação.
Para os lutadores, a desidratação crônica passa a ser um estilo de vida durante a temporada competitiva. Os competidores perdem intencionalmente uma quantidade considerável de líquidos para que possam lutar em uma classe ponderal mais baixa, e às vezes com conseqüências fatais se a desidratação tornar-se suficientemente intensa a ponto de desencadear anormalidades cardiovasculares devido aos distúrbios hidroeletrolíticos.
Uma das conseqüências da desidratação é a hipertermia, temperatura corporal perigosamente elevada que pode levar à lesões induzidas pelo calor, – sede extrema, cansaço, descoordenação e distúrbios visuais. Ocorre também a compensação cardiovascular, que desencadeia uma série de complicações incapacitantes denominadas enfermidades induzidas pelo calor.
A prática de redução da massa corporal muitas vezes é adotada por atletas que já se encontram com um ótimo percentual de gordura para a modalidade, mas que mesmo assim insistem em baixar de categoria. Entretanto, os atletas parecem pensar somente nos aspectos positivos que essa estratégia pode trazer, sendo que na realidade podemos constatar muito mais desvantagens e contra indicações associadas a essa estratégia competitiva como: redução de força muscular, declínio no tempo de desempenho, menor volume plasmático e sanguíneo, redução na eficiência do miocárdio, enfraquecimento do processo termorregulador, diminuição do fluído de sangue renal e no volume de líquidos filtrados pelo rim, depleção dos estoques de glicogênio no fígado, aumento no total de eletrólitos perdidos pelo corpo (em geral, Sódio e Potássio).
A redução do peso corporal depende também de fatores como composição corporal, fatores genéticos, da metodologia de treinamento adotada e do período de tempo para que ocorra de forma segura e previamente planejada. É recomendado que somente a porcentagem de gordura seja reduzida, para garantir que a perda será primariamente proveniente de tecido adiposo e não de massa muscular. Para alcançar este objetivo deve haver a redução da ingestão calórica, optando-se por alimentos com baixa densidade energética.
A redução de 10-20% na ingestão calórica total promove redução na gordura corporal sem induzir a fome ou fadiga, como ocorre com dietas de muito baixo valor calórico e pobres em gordura. A redução drástica da gordura na dieta pode não garantir a redução da gordura corporal e ocasionar perdas musculares importantes, e frequentemente altera o funcionamento intestinal, dificultando ainda mais a redução de peso.
Assim, a dieta que é utilizada para o atleta no período que antecede as competições é muito importante, pois é o período em que deve ser feito, se necessário, o ajuste de peso para categoria. É indispensável que esse ajuste de peso aconteça lentamente, evitando reduções calóricas drásticas que certamente comprometerão o rendimento esportivo.
As dietas nas etapas de competição e de recuperação pós-competição também são muito importantes. A dieta nas etapas de competição deve ter como elemento fundamental, em sua composição, os carboidratos para o aumento do aporte de energia imediata ao organismo do atleta. O cuidado fundamental consiste em conciliar os horários de competições com os horários de ingestão adequada dos nutrientes. Na dieta de recuperação, devido ao desgaste energético que acomete o organismo do atleta, é necessário a reposição imediata de nutrientes e líquidos. A ingestão de solução contendo repositor energético (do tipo maltodextrina, por exemplo) parece ser uma conduta adequada para aumentar a hidratação e a ingestão de carboidratos, que normalmente é baixa devido aos mitos de que a necessidade maior é de ingerir proteínas. Essa conduta também auxilia no aumento do rendimento esportivo. Assim, a presença do profissional nutricionista junto aos atletas e a equipe técnica torna-se um diferencial em esportes de combate.
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